O caminho entre um degrau e outro

O tema não é de todo novidade, por isso, caro leitor, não se ponha com merdas. Sim, eu disse "merdas", e até que me dói usar o termo em tão bem conotado blog (adoro iludir-me). E estou a tratar um leitor por você - nunca falei directamente para um leitor ou público. Mas esta parte do artigo é completamente desnecessária, por isso sigamos directamente ao assunto que me faz voltar a escrever no meu querido blog: as barreiras entre a música indie e a música comercial.

Não me vou estender muito, nem tenho conhecimentos para isso. Mas como gosto de reflectir (até demais), penso que o assunto é bem interessante. 

Depois de um século volvido, a música ligeira/moderna/não-sei-o-que-chamar-mas-sei-que-não-é-erudita conheceu várias facetas, várias fases (boas, menos boas, péssimas, excelentes, Justin Bieber) e, claro está, sempre ameaçada de extinção - sim, todos os dias alguém pensa que a música não tem salvação. Menos, cambada de pussys. 
Custa-me que apenas olhem para o passado ("Ei, nos anos 60' é que era"). Ok, sim, a música dessas décadas todas era gira e tal, e claro que marcou gerações (e ainda continua a marcar, tal vulcão em erupção contínua), mas vamos fazer uma rodinha e pensar juntos: a música dos anos 60', 70', 80' e 90' era boa porque era novidade. Sendo novidade, era normal que a música tenha marcado, mas daí a dizerem que a música nunca vai ser tão boa... Easy! E, pedindo desculpa adiantadamente, os Beatles não são a melhor banda de sempre - é cedo para se dizer isso.

(hating)

Para muitos, foi nos 90' que tudo começou a descambar, para muitos o aparecimento da house music condenou a existência da música... E olhem bem para ela, a música, que bem passeia de boa saúde. 

O indie, odiado por muitos porque tem o rótulo mas que está na moda, é cada vez mais confundido com a música comercial - e ainda bem! Mais do que nunca, os artistas não têm medo de ganhar mais público, de fazer um som mais radio-friendly e de ter milhares atrás. Afinal, tocar para 30 pessoas durante a existência de uma banda não deve ser assim tão divertido. 
Não digo que não tenha pensado desta maneira, e em alguns casos ainda penso... Quando as bandas ficam mais conhecidas e banalizam o seu som, é mau. Mas faz parte do crescimento da banda. 
Com o acesso a todos esses sites e cenas, ficou mais fácil descobrir música, e só não descobre quem não quer. Hoje, os Arctic Monkeys são bastante conhecidos, cada vez mais performers que outra coisa, os XX conquistam fãs e fãs e os membros dos XX até que curtem da Beyoncé ou do Justin Timberlake. Os Sleigh Bells queriam que a filha da Beyoncé ouvisse o mais recente álbum (Blue Ivy, vais gostar). 
Posto isto, não me surpreende que cada vez mais fácil seja alcançar uns minutinhos de fama e ser a banda no momento ou do ano, e cada vez mais me mentalizo que uma banda pode influenciar bastante alguém, mesmo que se mantenha durante dois anos. A indústria está a mudar, os hábitos mudam, todos se adaptam mais tarde ou mais cedo.

Assim sendo, espero que os Disclosure ponham fogo às pistas de dança, que a Lana Del Rey vos continue a adormecer, que a Azealia Banks continue com as lutas de twitter e com a cena em volta do Illuminatti. Sonho com o dia em que os Fleet Foxes se reúnam e que sejam considerados (e já o são) gigantes. 

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