Não sei


Não me apetece ficar aqui.
Preso, parado.
Apetece-me fugir para outro lado,
Ficar longe de onde sempre vivi.
Depois de amanhã não será tarde,
Não será cedo.
De ficar agarrado ao passado
É que tenho medo.
Não sei se me apetece viver…
Pelo menos não agora.
Já não me lembro de ser
Como uma vez fui outrora.
Quero ser a cobra que muda a pele,
A boca amarga que suporta o mel.
Não sei se estou em mudança,
Mas já não sei ser eu. E isso cansa.
Quero ser a bola de fogo que o canhão lançará,
O avião de papel que o céu nunca alcançará.
Quero matar todas estas teias que me controlam,
Todas as espadas que à parede me colam.
Não sei ser, não quero saber ser…
Só sinto vontade de correr.
Pode ser para ali, além, acolá…
Se houver Terra do Nunca, vou para lá.


Escrevi isto há umas semanas, e acho que estava meio que inspirado, apesar de isto não estar grande coisa. Não quero ser poeta nem nada que se pareça, apenas gosto de escrever (tanto poesia como prosa). Às vezes sinto-me assim, parece que quero chegar a algo cujo nome não sei. Ou isso ou é só a minha cabeça.




Sky Ferreira

Tenho ouvido falar da menina desde há um ano ou dois, por causa da Blitz. Nunca me despertou grande curiosidade, mas na altura ouvi algumas músicas e nem achei mau - apesar de não as ter ouvido repetidamente. Volvido esse espaço de tempo, a Blitz volta a dar um destaque à luso-americana e eu, cheio de curiosidade, voltei a ouvir. E ouvi uma pérola: Everything is Embarassing. 
Um som retro que me faz lembrar aquelas bandas dos anos 80 e 90 que por vezes vou ouvindo. E gosto. É agradável e acho que, apesar de ser uma música simples, resulta imensamente bem. Já a estou a passar para o telemóvel. 

Sky Ferreira tem gerado algum buzz e pode-se adivinhar que será uma nova Lana Del Rey no que toca às críticas quanto ao visual. Tenho visto users do youtube a chamarem-lhe de fake e tudo mais. Não quero saber, não quero saber se é pop ou música de gaja. Isto é altamente. 

Qual futuro?

Quando, hoje em dia, me falam no futuro e me perguntam o que quero fazer, nem sei bem o que responder. Se me perguntassem exactamente o mesmo há uns meses atrás, responderia (apesar de com mais certeza mas ainda assim com insegurança) que queria seguir Comunicação Social. Um curso que corresponde ao que gosto de fazer - comunicar, escrever, entre outros. 
Eu tenho 17 anos e sei que o meu futuro é incerto. Melhor, sei que o meu futuro tem grandes possibilidades de não ser o futuro com o qual eu sonhei, com o qual os meus pais sonharam para mim.
E parece estar tudo contra nós: não há dinheiro suficiente e querem reduzir drasticamente o número de jovens que entram para o ensino superior.  
Eu escolhi o curso científico-humanístico de Línguas e Humanidades porque sempre soube quais eram as minhas preferências em relação às disciplinas. Aliás, já no 7º ano sabia que queria ir para Línguas e Humanidades. Mas se estivesse no 10º ano neste momento, certamente não iria optar pela opção dos científico-humanísticos. Para quê? É um curso que serve para nos dar bases para a universidade, não nos dá as bases de trabalho que um curso profissional dá (ainda que muitos dos que andam em cursos profissionais não o aproveitem). E eu escolhi Línguas e Humanidades porque sempre sonhei em ir para a universidade estudar Comunicação Social, não porque queria ingressar o mercado de trabalho ao fim de 12 anos de escola.
Mas dificultam-me a vida. Perdão, dificultam-nos! São milhares de jovens que, este ano, se preparam para entrar no ensino superior. O que acontece? Matéria dos 3 anos a sair nos exames todos. Portanto, terei que estudar 9 manuais para fazer e ser aprovado no exame de História A? Vou ter de estudar a matéria toda, desde a Grécia Antiga aos dias de hoje? Parece que sim. Atenção: não que discorde disto, porque se estudamos 3 anos uma disciplina e se há uma prova para verificar os conhecimentos adquiridos nessa disciplina, essa prova deve englobar toda a matéria. Mas não agora! Agora não faz sentido; estamos a começar o 12º! Se pelo menos essa medida fosse dirigida a quem começa agora o 10º, que estará preparado de uma melhor maneira para os exames finais, compreendia... Assim não. Querem-nos tirar à força o sonho de estudar na universidade. 
E é com pena que estamos a voltar ao passado. É com pena que digo que não sei se vou poder ir para a universidade, numa altura em que as provas de acesso são dificultadas e as propinas (pelo que ouvi falar) vão subir. É com pena que vejo os meus e os nossos sonhos a desabarem, a afundarem. Tratam-nos com números, não como a esperança de amanhã. Não sei se quero trabalhar cá. 
Eu não tenho experiência de vida e nem sei se tudo o que escrevo é completamente certo, mas é o que penso. Revolta-me. Perdão, revolta-nos