Não sei


Não me apetece ficar aqui.
Preso, parado.
Apetece-me fugir para outro lado,
Ficar longe de onde sempre vivi.
Depois de amanhã não será tarde,
Não será cedo.
De ficar agarrado ao passado
É que tenho medo.
Não sei se me apetece viver…
Pelo menos não agora.
Já não me lembro de ser
Como uma vez fui outrora.
Quero ser a cobra que muda a pele,
A boca amarga que suporta o mel.
Não sei se estou em mudança,
Mas já não sei ser eu. E isso cansa.
Quero ser a bola de fogo que o canhão lançará,
O avião de papel que o céu nunca alcançará.
Quero matar todas estas teias que me controlam,
Todas as espadas que à parede me colam.
Não sei ser, não quero saber ser…
Só sinto vontade de correr.
Pode ser para ali, além, acolá…
Se houver Terra do Nunca, vou para lá.


Escrevi isto há umas semanas, e acho que estava meio que inspirado, apesar de isto não estar grande coisa. Não quero ser poeta nem nada que se pareça, apenas gosto de escrever (tanto poesia como prosa). Às vezes sinto-me assim, parece que quero chegar a algo cujo nome não sei. Ou isso ou é só a minha cabeça.




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