M.I.A faz barulho e não é de agora


Já há vídeo para a música que marca o regresso de M.I.A aos álbuns. Pois é, o muito aguardado Matangi parece já ter um single a sério. Bring the Noize é uma faixa bem bonita, já a tinha ouvido há uns dias quando saiu, dá para abanar o capacete e traz uma M.I.A que viveu as raves dos anos 90', por isso não será estranho de todo este vídeo que pôs Maya de cabelo cor-de-rosa.


A música está óptima, sim, o vídeo não está tão bom mas é aceitável. No entanto, prefiro os videoclips "baratos" como Galang (excelente faixa) ou o vídeo propositadamente barato de XXXO. Preços à parte, é bom que me habitue a uma maior produção, principalmente a partir de Born Free ou Bad Girls.
 O que importa é que M.I.A está de volta, e estou mesmo à espera de um grande álbum. 
Good girl, M.I.A. 



Ah, e deixemos as comparações de parte com Azealia Banks. M.I.A anda cá há algum tempo e estas músicas "rave" não são novidade.

O secundário acabou (quase)

Uma das etapas mais importantes da minha vida termina oficialmente quando souber o resultado dos exames, é certo. Mas o 12º ano (e o secundário, vá) acabou, para mim, no dia em que acabaram as aulas.
Durante estes três anos muita água correu neste rio. Cresci enquanto pessoa, mudei alguns aspectos da minha personalidade e, inevitavelmente, amadureci também. Foram anos bastante marcantes: mudei de casa, conheci pessoas que quero manter durante muito tempo, apaixonei-me, desapaixonei-me, aprendi que nem sempre é como eu quero. Foram muitos mais altos que baixos, sem dúvida. 
Para ser sincero, já me deixa um pouco nostálgico isto do secundário acabar. A ESCT acolheu-me quando eu tinha 12 anos, e durante 6 anos fez parte da minha vida. É algo que não passa em branco, é um lugar que será sempre especial. 
 Agradeço, principalmente, aos amigos mais próximos do passado e aos do presente. Aos professores também. Aos funcionários. À escola. 

Daqui a pouco começa uma nova fase e quem sabe se, daqui a uns anos, não estarei aqui a fazer o mesmo discurso. Veremos.







 (tinha que colocar fotos para isto não ficar tão foleiro)

Os sons da Primavera

Ontem fui ao Optimus Primavera Sound. A edição deste ano, e principalmente o dia 31 de Maio, contava com nomes que me fizeram perder a cabeça - tanto nos concertos como no preço do bilhete diário. 
Eu sei, eu sei que o preço do bilhete diário do OPS 13 é um tanto ou nada caro, mas penso que a quantidade de concertos que podemos ver, a qualidade do recinto e da organização e até os brindes (abençoada bolsa-toalha!) fazem, de certa forma, valer o preço. Ontem vi 11 concertos (sendo que 7 deles do início ao fim) e ainda podia ter ido a mais um. 
 A jornada começou com os "nossos" Dear Telephone, e nem foi mau. Não foi um concerto que quisesse mesmo ver, mas vi porque o tempo assim passou mais rápido. Mas calma! Os Dear Telephone estiveram bem, gostei da sonoridade (conhecia uma música ou outra deles) e tiram nota positiva, claramente. Em seguida vieram os também "nossos" Memória de Peixe, que também já conhecia. Bom concerto, acima dos Dear Telephone. Depois das 18.45h, dirigi-me ao palco ATP para ouvir os OM, mas não apanhei muitas músicas e por isso mesmo não será um concerto que possa dizer que foi realmente bom, mas do que ouvi, gostei. Tocaram os OM e em seguida assisti a pelo menos três músicas de Neko Case. Tal como os OM, não posso ter uma opinião geral do concerto, mas confesso que não achei grande piada e não me cativou. Pausa para jantar, seguido de um concerto marcante.

Daniel Johnston tinha começado há pouquissimo e talvez ainda tenha assistido a parte da primeira canção. Não conheço todo o reportório de Johnston, mas admiro a sua obra; ele nem canta grande coisa e a parte instrumental não me parece muito elaborada, mas a emoção com que pinta as canções e as letras fazem com que dali saia algo belo. Sabemos que Johnston não teve uma vida fácil e tem problemas mentais, e talvez por isso o público se tenha rendido ao esforço do cantor para dar um concerto que me ficará na memória durante muito tempo.
Em seguida veio a banda-surpresa da noite: SVPER. Não conhecia a banda, nem sabia do que se tratava, e pus-me na fila da frente para guardar lugar para Melody's Echo Chamber. SVPER foi brutal e é daquelas bandas que me vai ficar no ouvido no período pós-OPS, tal como os Other Lives de 2012 (que actuaram no mesmo palco). 
Depois das 22.20h veio o melhor concerto da noite para mim: Melody's Echo Chamber. Antes dessa hora, já ela tinha ido ao palco para ver se estava tudo direitinho para o concertão que minutos mais tarde iria dar. Ah, eu gritei por ela, ela fez adeus com a mão, eu fiz um coração e ela sorriu; resta dizer que só por isso, valeu a pena. Começa o concerto e começam os acordes da música que julgava ser a última: I Follow You. Uma onda dreamy invadiu aquele espaço até ao fim do concerto. A banda passeou por temas como Endless Shore, Bisou Magique, You Won't Be Missing That Part Of Me ou Be Proud Of Your Kids. A última música, totalmente instrumental, contou com Melody na guitarra e mostrou o que pode ser uma pista para o próximo álbum da francesa: teremos um som mais heavy no dream-pop de Melody's Echo Chamber?
Com pressa, cheguei a Grizzly Bear e ainda ouvi algumas pérolas que, noutros tempos, muito me disseram. Ainda adoro Grizzly Bear e isso nem se coloca em questão, mas certas músicas destes gajos tocaram-me muito há alguns tempos. Ouvi Knife e Two Weeks, entre outras. Só me faltou ouvir mesmo a Sleeping Ute, mas não se pode ter tudo! 
Depois de Grizzly Bear estive mesmo por pouco por assistir ao grande concerto que os Metz devem ter dado, e não os fui ver porque tinha que ficar num lugar jeitoso para assistir a Blur. Entretanto ouvi e vi pelos ecrãs o concerto de Four Tet, e confesso que fiquei com vontade de ir para o meio daquele pessoal todo abanar o capacete, mas também não sei se me atrevia a ir sozinho para depois voltar ao mesmo lugar.
E eis que chega o último concerto e, a par de Melody's Echo Chamber, o melhor da noite. Os Blur vieram incendiar a casa e pôr toda a gente a saltar, a cantar e a dançar. Foi espetacular. Gajos como estes devem ser adolescentes ou jovens adultos para a vida toda, mas que pica! Arrancaram a todo o gás com Boys & Girls e só pararam na Song 2, que julgo ter feito levantar poeira, passando pela bela This Is A Low.

O Primavera foi tudo o que eu esperava ter sido e ainda bem. Ainda tenho sono e ainda não estou em depressão pós-festival, mas este ano, tal como o de 2012, proporcionou-me momentos únicos que muito dificilmente serão apagados da memória. Obrigado, Optimus Primavera Sound.
                                                                          Foto: Público