Ontem fui ao Optimus Primavera Sound. A edição deste ano, e principalmente o dia 31 de Maio, contava com nomes que me fizeram perder a cabeça - tanto nos concertos como no preço do bilhete diário.
Eu sei, eu sei que o preço do bilhete diário do OPS 13 é um tanto ou nada caro, mas penso que a quantidade de concertos que podemos ver, a qualidade do recinto e da organização e até os brindes (abençoada bolsa-toalha!) fazem, de certa forma, valer o preço. Ontem vi 11 concertos (sendo que 7 deles do início ao fim) e ainda podia ter ido a mais um.
A jornada começou com os "nossos" Dear Telephone, e nem foi mau. Não foi um concerto que quisesse mesmo ver, mas vi porque o tempo assim passou mais rápido. Mas calma! Os Dear Telephone estiveram bem, gostei da sonoridade (conhecia uma música ou outra deles) e tiram nota positiva, claramente. Em seguida vieram os também "nossos" Memória de Peixe, que também já conhecia. Bom concerto, acima dos Dear Telephone. Depois das 18.45h, dirigi-me ao palco ATP para ouvir os OM, mas não apanhei muitas músicas e por isso mesmo não será um concerto que possa dizer que foi realmente bom, mas do que ouvi, gostei. Tocaram os OM e em seguida assisti a pelo menos três músicas de Neko Case. Tal como os OM, não posso ter uma opinião geral do concerto, mas confesso que não achei grande piada e não me cativou. Pausa para jantar, seguido de um concerto marcante.
Daniel Johnston tinha começado há pouquissimo e talvez ainda tenha assistido a parte da primeira canção. Não conheço todo o reportório de Johnston, mas admiro a sua obra; ele nem canta grande coisa e a parte instrumental não me parece muito elaborada, mas a emoção com que pinta as canções e as letras fazem com que dali saia algo belo. Sabemos que Johnston não teve uma vida fácil e tem problemas mentais, e talvez por isso o público se tenha rendido ao esforço do cantor para dar um concerto que me ficará na memória durante muito tempo.
Em seguida veio a banda-surpresa da noite: SVPER. Não conhecia a banda, nem sabia do que se tratava, e pus-me na fila da frente para guardar lugar para Melody's Echo Chamber. SVPER foi brutal e é daquelas bandas que me vai ficar no ouvido no período pós-OPS, tal como os Other Lives de 2012 (que actuaram no mesmo palco).
Depois das 22.20h veio o melhor concerto da noite para mim: Melody's Echo Chamber. Antes dessa hora, já ela tinha ido ao palco para ver se estava tudo direitinho para o concertão que minutos mais tarde iria dar. Ah, eu gritei por ela, ela fez adeus com a mão, eu fiz um coração e ela sorriu; resta dizer que só por isso, valeu a pena. Começa o concerto e começam os acordes da música que julgava ser a última: I Follow You. Uma onda dreamy invadiu aquele espaço até ao fim do concerto. A banda passeou por temas como Endless Shore, Bisou Magique, You Won't Be Missing That Part Of Me ou Be Proud Of Your Kids. A última música, totalmente instrumental, contou com Melody na guitarra e mostrou o que pode ser uma pista para o próximo álbum da francesa: teremos um som mais heavy no dream-pop de Melody's Echo Chamber?
Com pressa, cheguei a Grizzly Bear e ainda ouvi algumas pérolas que, noutros tempos, muito me disseram. Ainda adoro Grizzly Bear e isso nem se coloca em questão, mas certas músicas destes gajos tocaram-me muito há alguns tempos. Ouvi Knife e Two Weeks, entre outras. Só me faltou ouvir mesmo a Sleeping Ute, mas não se pode ter tudo!
Depois de Grizzly Bear estive mesmo por pouco por assistir ao grande concerto que os Metz devem ter dado, e não os fui ver porque tinha que ficar num lugar jeitoso para assistir a Blur. Entretanto ouvi e vi pelos ecrãs o concerto de Four Tet, e confesso que fiquei com vontade de ir para o meio daquele pessoal todo abanar o capacete, mas também não sei se me atrevia a ir sozinho para depois voltar ao mesmo lugar.
E eis que chega o último concerto e, a par de Melody's Echo Chamber, o melhor da noite. Os Blur vieram incendiar a casa e pôr toda a gente a saltar, a cantar e a dançar. Foi espetacular. Gajos como estes devem ser adolescentes ou jovens adultos para a vida toda, mas que pica! Arrancaram a todo o gás com Boys & Girls e só pararam na Song 2, que julgo ter feito levantar poeira, passando pela bela This Is A Low.
O Primavera foi tudo o que eu esperava ter sido e ainda bem. Ainda tenho sono e ainda não estou em depressão pós-festival, mas este ano, tal como o de 2012, proporcionou-me momentos únicos que muito dificilmente serão apagados da memória. Obrigado, Optimus Primavera Sound.
Foto: Público

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