Qual futuro?

Quando, hoje em dia, me falam no futuro e me perguntam o que quero fazer, nem sei bem o que responder. Se me perguntassem exactamente o mesmo há uns meses atrás, responderia (apesar de com mais certeza mas ainda assim com insegurança) que queria seguir Comunicação Social. Um curso que corresponde ao que gosto de fazer - comunicar, escrever, entre outros. 
Eu tenho 17 anos e sei que o meu futuro é incerto. Melhor, sei que o meu futuro tem grandes possibilidades de não ser o futuro com o qual eu sonhei, com o qual os meus pais sonharam para mim.
E parece estar tudo contra nós: não há dinheiro suficiente e querem reduzir drasticamente o número de jovens que entram para o ensino superior.  
Eu escolhi o curso científico-humanístico de Línguas e Humanidades porque sempre soube quais eram as minhas preferências em relação às disciplinas. Aliás, já no 7º ano sabia que queria ir para Línguas e Humanidades. Mas se estivesse no 10º ano neste momento, certamente não iria optar pela opção dos científico-humanísticos. Para quê? É um curso que serve para nos dar bases para a universidade, não nos dá as bases de trabalho que um curso profissional dá (ainda que muitos dos que andam em cursos profissionais não o aproveitem). E eu escolhi Línguas e Humanidades porque sempre sonhei em ir para a universidade estudar Comunicação Social, não porque queria ingressar o mercado de trabalho ao fim de 12 anos de escola.
Mas dificultam-me a vida. Perdão, dificultam-nos! São milhares de jovens que, este ano, se preparam para entrar no ensino superior. O que acontece? Matéria dos 3 anos a sair nos exames todos. Portanto, terei que estudar 9 manuais para fazer e ser aprovado no exame de História A? Vou ter de estudar a matéria toda, desde a Grécia Antiga aos dias de hoje? Parece que sim. Atenção: não que discorde disto, porque se estudamos 3 anos uma disciplina e se há uma prova para verificar os conhecimentos adquiridos nessa disciplina, essa prova deve englobar toda a matéria. Mas não agora! Agora não faz sentido; estamos a começar o 12º! Se pelo menos essa medida fosse dirigida a quem começa agora o 10º, que estará preparado de uma melhor maneira para os exames finais, compreendia... Assim não. Querem-nos tirar à força o sonho de estudar na universidade. 
E é com pena que estamos a voltar ao passado. É com pena que digo que não sei se vou poder ir para a universidade, numa altura em que as provas de acesso são dificultadas e as propinas (pelo que ouvi falar) vão subir. É com pena que vejo os meus e os nossos sonhos a desabarem, a afundarem. Tratam-nos com números, não como a esperança de amanhã. Não sei se quero trabalhar cá. 
Eu não tenho experiência de vida e nem sei se tudo o que escrevo é completamente certo, mas é o que penso. Revolta-me. Perdão, revolta-nos

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